Blog da EM Anita Trigueiro do Valle - EJA
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03 novembro 2026
26 outubro 2026
19 outubro 2026
Escuta e apoio docente fortalecem o protagonismo estudantil
No programa Escolaí, professores atuam como guardiões educadores, apoiando os jovens na construção de projetos de vida e incentivando sua autonomia e participação na escola.

“Professor, a minha mãe me disse que ser médico não é para mim.” A forma como um educador responde a uma frase como essa pode marcar a trajetória de um estudante.
É o que acredita Carlos Eduardo Santos, professor de geografia e ex-professor de projeto de vida da Escola Estadual Professora Sylvia Ramos Esquível, localizada em Diadema (SP). Foi Carlos quem ouviu essa fala de um de seus alunos, episódio que reforçou sua percepção sobre a importância de ajudar os jovens a reconhecer suas capacidades e explorar possibilidades para o futuro.
“Nós nos deparamos com muitas frases como essa. E eu me vejo nesse papel de guardião educador justamente por isso: para incentivar, dar apoio e mostrar a eles que é possível chegar onde querem, com esforços. Me sinto no dever de ajudá-los, para que possam descobrir desejos e aptidões. Hoje, o cotidiano das pessoas é tão corrido que, em muitos casos, as famílias trabalham muito para tentar dar o mínimo para os filhos e, com isso, não conseguem fazer esse apoio”, relata o educador.
Carlos é um dos “guardiões educadores” do programa Escolaí, da Fundação Otacílio Coser. Esses profissionais fazem a ponte entre a fundação e as escolas e atuam na construção de vínculos e na orientação dos estudantes.
O que é o Escolaí?
Realizado há 20 anos pela Fundação Otacílio Coser, em parceria com secretarias estaduais e municipais de educação, o Escolaí auxilia escolas públicas no desenvolvimento de projetos de vida, com foco na formação integral dos estudantes.
Em formato de gincana interescolar, o programa propõe missões conduzidas por times de estudantes. As atividades trabalham diferentes dimensões do projeto de vida, como autoconhecimento e autocuidado, convivência e relação com a comunidade, além de sonhos, oportunidades de estudo e preparação para o mundo do trabalho.
Ana Paula Carvalho, coordenadora de projetos da Fundação Otacílio Coser e responsável pelo atendimento e acompanhamento dos professores das escolas participantes, explica que o programa busca apoiar o trabalho pedagógico dos educadores.
“O Escolaí vem para contribuir de uma forma lúdica, com situações que complementam o plano de aula do professor. Os participantes geralmente são aqueles que querem trazer a criatividade, melhorar o clima escolar e fazer a diferença. É isso que os professores guardiões são para a gente: nossos parceiros”, afirma.
A coordenadora observa que, quando os educadores acreditam na proposta do programa e percebem suas contribuições para a vida dos jovens, passam a criar novas oportunidades para apoiar o desenvolvimento dos estudantes, para além das atividades previstas. “Eles têm um olhar de muita empatia, e de querer que esse jovem seja brilhante no futuro. Para isso, não medem esforços.”
Para que esse apoio aconteça, os professores também precisam se sentir motivados e reconhecer sua capacidade de contribuir com a formação dos estudantes, ressalta Ana Paula.
“O professor precisa ter um papel de liderança para ser uma inspiração e ter o respeito desses jovens que não acreditam em si mesmos. O professor vem como um elo e com aquele espelho que diz ‘Olha, você consegue, eu estou aqui para te ajudar’. Mas se ele está cansado e ele mesmo não acredita que faz a diferença, o retrato do jovem vai ser totalmente diferente. Então também temos um papel social de olhar para esse professor e dizer ‘Você é muito bom. Com tudo que você faz, você está mudando vidas’. Isso pode ser aquela luzinha no fim do túnel para que os jovens possam fazer diferente.”
Oportunidades para exercer o protagonismo
Carlos começou a atuar na escola como professor de projeto de vida e hoje leciona geografia para o ensino médio. Em suas aulas, busca apresentar aos estudantes diferentes caminhos e possibilidades para o futuro.
Para desenvolver suas iniciativas, muitas vezes interdisciplinares, Carlos conta com o apoio da diretora da escola e de outros educadores, que contribuem de diferentes formas.
Uma das atividades propostas em 2025, com continuidade em 2026, foi a criação de um Museu Vivo para trabalhar a educação antirracista. Cada estudante recebeu a tarefa de pesquisar uma personalidade negra ou indígena e suas contribuições para a sociedade.
Em seguida, organizados por turma, os estudantes deveriam elaborar uma representação visual da personalidade pesquisada. “Teve uma turma que pesquisou Nelson Mandela, criou a cela dele com o número e, quando os visitantes se aproximavam, os alunos liam trechos sobre a vida de Mandela”, exemplifica Carlos.
Para ele, essa atividade articula o debate sobre o racismo com oportunidades para os estudantes desenvolverem seu protagonismo. “Tem alunos que você olha e só descobre essa habilidade que ele tem para falar, para se expressar, quando o projeto realmente acontece. E às vezes o próprio aluno nem sabia sobre essa habilidade. Por isso eu falo: ‘projeto é isso, é redescobrir’.”
Tudo isso, entretanto, só é possível, segundo Carlos, com escuta ativa e uma relação de proximidade que permita aos estudantes reconhecer no professor alguém com quem possam conversar e compartilhar suas inquietações.
Apoio a quem educa
E quem cuida de quem cuida?
Com formação em psicologia, Ana Paula reforça a importância de um olhar atento tanto ao trabalho desenvolvido quanto às necessidades dos próprios educadores.
Por isso, o Escolaí conta com diferentes formas de acompanhamento dos profissionais da educação. Entre elas estão uma oficina de comunicação e mobilização, destinada aos jovens, mas com ferramentas e estratégias também úteis aos professores, e grupos de WhatsApp para dúvidas e trocas entre os participantes de cada estado em que a fundação atua.
O programa oferece ainda um canal de atendimento individual pelo WhatsApp, um plantão semanal de dúvidas on-line e visitas técnicas aos estados participantes.
Nas visitas, a equipe acompanha de perto a realidade das escolas, os desafios dos professores, a participação dos estudantes e o desenvolvimento do programa.
Com essa estrutura, a ideia é que os educadores se sintam amparados ao longo das atividades.
“Quando os três guardiões educadores de cada time estão juntos, procuramos olhar o programa de ações que precisam ser desenvolvidas ao longo do ano, mas também como esses professores estão. O plantão de dúvidas existe para ouvir o que eles estão fazendo, mas, ao mesmo tempo, para enxergar essa pessoa educadora, como ela está se sentindo, como nós podemos escutar e ajudá-la. Se acontece alguma coisa ou alguém passa mal e nos comunicam, por exemplo, temos um cuidado de monitorar, perguntar se está melhor. Acho que esse é um carinho que faz uma diferença para eles se manterem cada vez mais ativos no processo”, defende.
Protagonismo e pertencimento na prática
Para Diego Paschoa, professor de educação física do GET (Ginásio Educacional Tecnológico) Armando Klabin, no Rio de Janeiro, e guardião educador do Escolaí, o programa gira em torno de autonomia, cooperação e protagonismo, aspectos que busca desenvolver no trabalho cotidiano com os estudantes.
Na terceira missão do programa, voltada à dimensão social e comunitária, os estudantes optaram por trabalhar a diversidade cultural africana, afro-brasileira e indígena. Como guardião educador, Diego conta que entende seu papel como o de um professor mediador, que ajuda as turmas a contextualizar os temas estudados. Nesse trabalho, ele apresentou as diretrizes legais relacionadas à diversidade afro-brasileira.
“A partir daí começam as discussões. ‘O que a gente pode fazer com relação a isso?’ ‘Qual é a visão que vocês têm dentro de uma comunidade, de um bairro mais vulnerável como o nosso, qual é a percepção de vocês com relação aos afro-brasileiros? E aos indígenas?’”, explica.
A proposta buscou discutir as identidades negras e indígenas e o pertencimento à escola, onde, segundo Diego, mais da metade dos alunos são negros. As discussões deram origem a diferentes atividades, que se articularam em um projeto.
Uma das primeiras atividades foi uma exposição de fotografias em preto e branco dos próprios jovens, planejada em parceria com o professor de artes para trabalhar o reconhecimento e a valorização de suas identidades negras.
Outra turma propôs realizar também um desfile na escola. Os educadores compraram tintas para que os estudantes fizessem pinturas corporais e em objetos, inspiradas em tradições africanas e indígenas. Além disso, os próprios participantes confeccionaram suas roupas para a apresentação.
O projeto contou ainda com uma exposição de objetos relacionados às religiões de matriz africana e às culturas indígenas. Por fim, os alunos tiveram a ideia de fazer um filme. Com o apoio de Diego, a proposta foi desenvolvida e resultou em um minidocumentário de 24 minutos, com entrevistas de educadores negros e negras da escola.
“Nós entendemos que seria legal conversar com professores negros da unidade, pessoas queridas que defendem essa bandeira da igualdade racial, da distribuição de renda e entender o que compreendem que é ser negro numa escola majoritariamente negra e o que é representatividade, até para que servisse de espelho para esses alunos”, comenta Diego.
Para o guardião educador, essa e outras propostas do Escolaí possibilitam que os jovens trabalhem de forma cooperativa, reflitam sobre o contexto em que estão inseridos, aprofundem discussões sobre as relações étnico-raciais e, sobretudo, reconheçam suas capacidades e seu potencial.
“Quando a gente é estimulado a trabalhar com projeto, é justamente para sair desse tradicionalismo de sala de aula, com esse foco no professor. Eu acho que a educação pode acontecer com foco no aluno. É o que as metodologias ativas falam. É o momento em que eles vão criar, mediados pelo professor”, ressalta Diego.
Para o professor, trabalhar com metodologias ativas é uma maneira de incentivar o protagonismo e a autonomia. “Não é fácil fazer o aluno entender isso, mas quando ele está bem orientado e tem o apoio da escola, o trabalho acontece. Isso faz parte do processo da escola viva, uma escola que rompe com o conteudismo e com o tradicionalismo”, conclui.
15 outubro 2026
14 outubro 2026
7 filmes de ciência gratuitos para assistir com seus alunos
A professora Flávia Aparecida Soares e o neurocientista Sidarta Ribeiro em cena de “Na Prática: Interface entre Ciência e Educação”. Crédito: Divulgação
Menino conversa com um robô em cena de “Os Truques do Nosso Cérebro”. Crédito: Divulgação
Nave percorre um cenário cósmico em cena de “Sonhos Voadores”. Crédito: Divulgação
Demonstração de experimento luminoso em cena de “Aurora Boreal: A Hora do Encontro” Crédito: Divulgação
Apresentador exibe um tablet com o ChatGPT em cena de “Nove e Meio: ChatGPT na Aula”. Crédito: Divulgação
Personagens de “Uau Lisa: Conchinhas” brincam com baldes e um castelo de areia em cenário de praia. Crédito: Divulgação
Criança brinca com um elefante de pelúcia em cena de “O Elefante no Meio da Sala”. Crédito: Divulgação07 outubro 2026
🏆 DESTAQUE DO MÊS 🏆
Parabéns Sabrina
Pelo incentivo ao bom engajamento e ao excelente desempenho de seus estudantes no uso do aplicativo surper aluno.
Parabéns pelo compromisso, dedicação e incentivo à aprendizagem! 👏📚
Aula de Matemática ganhando novas dimensões! 📐✨
Explorando poliedros com o *GeoGebra 3D*, unindo tecnologia, visualização e aprendizagem para compreender a Geometria de forma mais dinâmica e significativa. 🚀📊
02 outubro 2026
GRUPO DE DANÇA PARA O FESTIVAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA*.
O projeto é voltado para os alunos do *Fundamental 2* e tem como objetivo celebrar nossa história, cultura e força através da dança.
*Ensaios:*
Terça-feira: 13h às 17h
Quinta-feira: 16h às 19h
Todos os alunos são bem-vindos!
Peço que por gentileza *encaminhem o cartaz abaixo para os grupos das suas salas* para que todos os estudantes e famílias tenham conhecimento e possam se inscrever.
Vamos juntos fazer um lindo show de cultura, orgulho e representatividade!
Desde já, obrigado pelo apoio de todos!
Professor Gian Silva
30 setembro 2026
O mundo diante da crise para atrair, formar e reter professores
A OCDE alerta para a escassez de professores em diferentes países e aponta fatores como envelhecimento do corpo docente, dificuldades de atração para a carreira e baixa valorização social da profissão
Redação Porvir - 29 de setembro de 2026O documento mostra que a falta de professores e as dificuldades para atrair profissionais para a carreira são uma realidade em muitos países. Em alguns sistemas de ensino, essa escassez se torna visível pelo elevado número de vagas não preenchidas. Na Letônia e em Luxemburgo, por exemplo, cerca de 4% dos cargos docentes no ensino secundário estavam vagos no início do ano letivo.
A falta de professores, porém, não se distribui igualmente entre as disciplinas. Andreas Schleicher, diretor de educação e competências da OCDE, destaca que ela se concentra em determinadas áreas. “Podemos ver, por exemplo, que mais países se queixam de escassez de professores em matemática, em ciências e em segundas línguas e outras línguas. Não é tanto um problema na educação física ou nos estudos sociais. Portanto, a disciplina importa mesmo.”
A disputa por professores faz parte de um problema mais amplo do mercado de trabalho, no qual empregadores de diferentes setores competem por uma oferta limitada de profissionais qualificados. Os sistemas educacionais enfrentam, nesse sentido, pressões também observadas em áreas como saúde e tecnologia.
Outro indicador dessa pressão é a dependência de profissionais que ainda não possuem todas as qualificações exigidas nacionalmente para a docência. Em média, nos países da OCDE, 9,1% dos professores do ensino primário e secundário não eram plenamente qualificados em 2024/25. No Brasil, a proporção chegou a 9% nas instituições públicas de ensino, próxima da média da organização.
Andreas, no entanto, pondera que a ausência de uma certificação formal não significa necessariamente falta de capacidade para ensinar e defende atenção a novas formas de ingresso na profissão. “Muitas rotas indiretas para o ensino atraem pessoas altamente motivadas e talentosas, mesmo que ainda não tenham todas as qualificações formais necessárias. Por isso, devemos ter cautela ao dizer que quem não tem certificação formal não é qualificado como professor.”
Esses desafios costumam ser particularmente graves em comunidades rurais e vulneráveis. O envelhecimento do corpo docente acrescenta outra pressão. Nos países da OCDE, um em cada quatro professores do ensino secundário tem 55 anos ou mais.
No Brasil, os dados sobre saída da carreira também chamam atenção. Em 2022, 10,3% dos professores plenamente qualificados do ensino primário e secundário deixaram a profissão, por aposentadoria ou exoneração, segundo os dados apresentados no relatório. A média da OCDE foi de 6,4% em 2024/25.
Condições de trabalho, remuneração e valorização profissional
A insatisfação com a carreira ajuda a explicar a rotatividade. No Brasil, os níveis de satisfação dos docentes estão abaixo da média da OCDE: apenas 22,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental declaram-se satisfeitos com seus salários, contra 38,7% na média da OCDE, e somente 44,3% estão satisfeitos com suas condições de trabalho, excluindo a remuneração, frente a 68,4% na organização.
O professor brasileiro também tem uma carga mínima obrigatória de 800 horas de aula por ano, em média. Ao mesmo tempo, considerando o investimento do ensino primário ao superior, o gasto por estudante é de US$ 4,1 mil (cerca de R$ 21,7 mil), menos de um terço da média da OCDE, de US$ 13,6 mil (aproximadamente R$ 72,1 mil).
O Brasil destina 4,5% de seu PIB (Produto Interno Bruto) à educação, mas esse percentual reúne os investimentos em diferentes etapas, incluindo o ensino superior, e não revela quanto é destinado especificamente a cada aluno da educação básica. Assim, uma participação relativamente elevada da educação no PIB pode coexistir com um gasto por estudante baixo em comparação internacional.
“Honestamente, não vemos os salários como o principal fator para determinar nem a oferta de professores nem a atratividade da profissão docente. (…) O dinheiro pode ser um fator externo de desmotivação quando os professores não são remunerados adequadamente — nesse caso, eles vão embora. Mas raramente é uma motivação intrínseca”, disse o executivo da OCDE.
Ele também lembra que mais recursos não se traduzem necessariamente em melhores resultados educacionais. “O gasto por estudante também não é um indicador muito forte dos resultados de aprendizagem. Até certo ponto, ele é relevante para países que investem muito pouco, mas, na maioria dos países da OCDE, vemos uma relação bastante limitada entre o gasto por estudante e os resultados. A questão está muito mais em como esses recursos são investidos”, afirmou.
No Brasil, essa discussão ocorre em um contexto de investimento por estudante muito inferior à média da OCDE. Nos anos iniciais do ensino fundamental, são US$ 4.064 (cerca de R$ 21,5 mil) por aluno, ante US$ 12.893 (aproximadamente R$ 68,3 mil) na média da organização; nos anos finais do ensino fundamental, US$ 4.390 (cerca de R$ 23,3 mil), ante US$ 14.291 (aproximadamente R$ 75,7 mil).
Para Andreas, a verdadeira reconstrução da carreira docente exige focar em prestígio, colegialidade e autonomia pedagógica: “A questão fundamental é: como é que torna o ensino intelectualmente mais atrativo, como é que cria carreiras mais atrativas para os professores, como é que cria condições de emprego e de trabalho que valorizem a autonomia profissional do professor e uma cultura colaborativa…”
Além disso, a atratividade da docência está diretamente conectada ao uso eficiente do tempo em sala de aula e ao domínio pedagógico. Professores com alto nível de conhecimento pedagógico geral passam significativamente menos tempo gerindo problemas de disciplina e mantendo a ordem na sala, conseguindo dedicar mais tempo efetivo ao ensino, à aprendizagem e à atenção individualizada aos alunos com dificuldades.
As projeções demográficas indicam que a população de crianças de 5 a 14 anos no Brasil deve encolher 3% entre 2024 e 2033, o que pode reduzir a demanda por professores caso outras políticas permaneçam inalteradas. A OCDE ressalta, porém, que a demografia é apenas um dos fatores que determinam a necessidade de docentes, ao lado de decisões sobre tamanho das turmas, saída de profissionais da carreira e financiamento.
Esse cenário pode abrir espaço para que legisladores e gestores educacionais concentrem esforços na expansão do número de professores, sem deixar de lado a atratividade da carreira, a valorização profissional e o uso mais eficiente dos profissionais já disponíveis.
Inovação e as novas exigências da profissão docente
Diante disso, os sistemas educacionais precisam se adaptar a um futuro com restrição de quadros. Isso envolve otimizar o tempo docente, utilizar a tecnologia de forma inteligente e reformular a gestão escolar. Uma estratégia comum para enfrentar a escassez é ampliar o ingresso na docência como segunda carreira. Enquanto a média da OCDE de professores dos anos finais do ensino fundamental vindos de outras áreas é de 8,4%, no Brasil esse índice alcança 11,5%, o que mostra que essa trajetória já é mais frequente no país do que na média da organização.
Em um contexto de rápidas mudanças no mercado de trabalho e de avanço das tecnologias, o representante da OCDE destaca a importância da formação continuada de professores e do desenvolvimento de competências transversais nos estudantes.
A partir de diferentes dimensões, reunimos sete medidas que ajudam a tornar a carreira docente mais atrativa e sustentável.Oferecer salários e planos de carreira mais atrativos
Remuneração adequada e perspectivas de progressão ajudam a atrair e reter profissionais na docência.
Melhorar as condições de trabalho
Tempo para planejamento, recursos pedagógicos, infraestrutura e apoio da gestão são fundamentais para reduzir a sobrecarga.
Aproximar a formação inicial da prática
A formação de professores deve ampliar o contato com situações reais de sala de aula e fortalecer a articulação entre teoria e prática.
Investir em formação continuada
O desenvolvimento profissional precisa estar conectado às necessidades dos professores, dos estudantes e das escolas.
Ampliar a autonomia e a autoria docente
Professores precisam ter espaço para criar, adaptar práticas e tomar decisões pedagógicas de acordo com seus contextos.
Fortalecer o reconhecimento social da profissão
Valorizar a docência também significa reconhecer publicamente o conhecimento, a responsabilidade e a contribuição dos professores.
Preparar os professores para novas demandas profissionais
Mudanças tecnológicas e sociais exigem oportunidades para desenvolver novas competências ao longo da carreira.
Ao final do webinário de lançamento do Education at a Glance 2026, ele respondeu a perguntas da audiência sobre os outros temas:
Competências básicas e diplomas: “17% das pessoas com qualificações universitárias nem sequer têm competências básicas sólidas. Portanto, sim, os diplomas são sempre um sinal importante do que as pessoas podem fazer, mas não são uma garantia para todos os tipos de competências de que as pessoas precisam no local de trabalho.” Ele acrescenta que “ajudar os jovens a adquirir competências básicas sólidas é uma das melhores garantias que temos para reduzir a taxa de jovens que não estudam nem trabalham.”
Linguagem, IA e esforço cognitivo: O executivo alerta que o uso de inteligência artificial na educação deve focar no desenvolvimento do pensamento crítico: “Não se fica em boa forma física a ver desporto. Fica-se em forma praticando desporto. Da mesma forma, desenvolvemos capacidades relacionadas com a IA através do esforço cognitivo e do desafio.” Isso redefine o papel do professor, pois “a literacia do passado consistia em extrair informação. A literacia do futuro consiste muito em navegar por informação complexa e construir conhecimento…”
Inclusão e aprendizagem ao longo da vida: As lacunas no mercado raramente são técnicas, mas sim “daquelas competências transversais que faltam aos trabalhadores”. Além disso, há um desafio cultural: quando perguntadas sobre o motivo de não continuarem os estudos, a resposta de pessoas de menor qualificação costuma ser “Não estou interessado. A aprendizagem ao longo da vida pode ser importante, mas não é para mim.” Superar essa barreira é um ponto importante para a igualdade de género, já que “para quem carece de competências básicas ou do ensino secundário, há uma probabilidade muito maior de as mulheres ficarem fora da força de trabalho.”



















